quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tempo

Andei sem idéias nos últimos dias, na verdade as tive, mas não andei muito 'inspirado' pra escrever. Agora são 2 da manhã, o sono passa longe, e a paz é absoluta, meu dia foi muito proveitoso, então lá vai. Ahhh, desculpe pelo modo mais direto de escrever, como se estivesse falando com quem lê, me deu vontade.


                          Tempo: 1 - Série ininterrupta e eterna de instantes.
                                      2 - Medida arbitrária da duração das coisas.


Provavelmente você está dormindo agora enquanto escrevo, na verdade você deve estar dormindo a mais ou menos umas 4 horas(?) já. Essa noite não passa logo, estou sem sono e por isso resolvo escrever, essa noite durou muito mais pra mim do que pra você, que distraído no sono, não percebeu ela passar.

Tomando o tempo pela segunda definição descrita acima, na verdade essa noite teria exatamente a mesma duração para nós, apesar de nossas percepções diferentes; cada segundo seria igual para ambos...afinal, quanto ou que é um segundo? A definição científica do termo é: "Um segundo é o tempo de duração de 9.192.631.770 vibrações da radiação emitida pela transição eletrônica entre os níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133". Totalmente incompreensível, essa é a medida padrão do 'tempo arbitrário', tempo este que temos a mania de medir, tempo este que há de ser igual pra todos.

Não, eu não sou loco, sei que disse que a minha noite durou mais, e sei que em seguida disse que foi igual para ambos de nós, é justamente onde pretendo chegar, ou melhor, justamente onde ninguém consegue chegar. Afinal, o tempo é algo linear e de possível medida, ou simplesmente uma questão de percepção? Não escrevo pensando em te responder, ninguém sabe nos responder, pasme.

O tempo arbitrário é obviamente uma criação por necessidade do ser humano. Tente imaginar um mundo sem relógios, onde nos limitariamos somente a saber se é dia ou se é noite. Obviamente que não funcionaría na sociedade de hoje, inegavelmente somos presos a relógios, e por menos rotineira que seja sua vida, isso não muda. Temos a hora de acordar pra ir trabalhar, a hora de estudar, a hora do almoço e da janta; e como se não bastasse, temos que dormir 8 horas diárias por uma vida saudável. Cada ocorrência depende dessas medições, somos preso a esse tempo; mas ainda sim o percebemos de modo diferente.

A relatividade do tempo, assim como a necessidade de medi-lo, também é inegável. Pode ser que o tempo seja somente uma limitação a nossa percepção das coisas, e que talvez ele nem aconteça de forma linear. Cada um de nós temos uma percepção diferente, e que geralmente está ligada a atenção e ao aproveitamento da situação. Exemplo, os segundos em um relógio passam muito mais rapido pra quem não fica contando os "tic-tacs"; ou aquela aula chata que pra você foi uma eternidade, mas que pro seu amigo interessado passou voando; ou ainda esta noite, que passou depressa demais enquanto você dormia, e que não termina nunca pra mim enquanto eu escrevo acompanhado desta insonia.

Sobre o tempo não correr de forma linear, use de exemplo sua própria vida. Todos os fatos acontecem na ordem que tem que ser? Às vezes deixamos de entender algo de imediato, mas que depois de muito tempo você acaba compreendendo; ou então coisas futuras, que só pelo que se passa agora, são totalmente previsíveis. A maioria das vezes não vivemos uma determinada coisa de uma só vez, temos ela divida em frações de momentos, que preenchidos por outros assuntos, parecem nem mesmo ter tido um intervalo. Já assistiu os filmes do Tarantino? São totalmente fora da ordem linear, mas no final fazem sentido, basta um pouco de atenção. Pode que o tempo te permita isso para a vida, até mesmo que as coisas aconteçam "de trás pra frente", que seja até difícil reconhecer um começo, um meio, e um fim; mas que sempre tem um sentido final.

As vezes podemos até imaginar que se não fossemos limitados à nossa existência simples, poderiamos viver dois momentos ao mesmo tempo, reviver momentos e criar nosso próprio tempo.

Dois pensamentos para concluir, um deles de um físico chamado John Wheeler que diz: "O tempo é o jeito que a natureza deu para não deixar que tudo acontecesse de uma vez só". O outro, um trava-línguas que sempre achei engraçado desde minha infância: "O tempo perguntou pro tempo, 'quanto tempo o tempo tem?', o tempo, respondeu para o tempo, que o tempo tem o mesmo tempo que o tempo tem".

(Inspiração musical: dyzv0r)

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