terça-feira, 19 de abril de 2011

One Step at a Time

Num momento de loucura, resolvi escrever um conto desta vez. O conto ainda não tem um título, mas ilustra o título do post, espero que gostem.


                                        Step(inglês): Degrau, Passo, Etapa.     

Steve era um rapaz sonhador, sonhador demais. Filho de um casal jovem de classe média, nasceu em meio à uma discussão de seus pais, onde a raiva momentânea de sua mãe foi o motivo do rompimento da bolsa amniótica. Uma criança saudável, apesar do parto prematuro; morava com os pais numa casa confortável, uma casa que seu avô materno havia os deixado em seu testamento. Desde pequeno já era notado pela sua inteligência e destreza fora do comum; falou a primeira palavra aos 10 meses idade, aprendeu a caminhar cedo, tinha um andar seguro, não se escorava nos móveis da casa, acreditava que não ia cair.

Foi disciplinado em boas escolas da sua cidade, era sempre o primeiro da turma. Extrovertido, não era o típico "nerd" que senta na primeira carteira, tinha a amizade de todos, uma pessoa de humildade e altruísmo tão grande, que mesmo aos bagunceiros da turma, jamais negou uma "cola" na hora da prova. Concluiu o ensino médio aos 16 anos, pois havia pulado a terceira série do fundamental por ser considerado apto suficiente. Foi aprovado no vestibular de uma das melhores faculdades de farmácia do país, era um de seus sonhos, desejava um dia poder sintetizar e descobrir drogas para curar as doenças mais devastadoras do homem.

Steve era extremamente dedicado ao estudo, mas tinha não só um sonho profissional, desejava um dia uma família, desejava fazê-la plenamente feliz, queria poder se provar diferente dos seus pais, que mesmo já velhos continuavam a discutir todos os dias. Era difícil conciliar seus sonhos, dedicava-se demais à profissão para alcançar sua meta, não tinha tempo para a vida social, mas no fundo sabia que era capaz de uma dia realizar ambos os sonhos. Mesmo com toda inteligência, segurança e força de vontade, Steve tinha um ponto fraco, a impaciência. Não suportava mais esperar, anos haviam passado, era um profissional conceituado, mas não havia participado de um estudo sequer que colaborasse para a cura de algo grande, não tinha uma família, não se sentia realizado.

Em uma de suas experiências de Neurofarmacologia, Steve por acidente acreditou sintetizar uma droga jamais vista, algo capaz de afetar a mente humana à níveis imensuráveis. Acreditava ter criado a solução do seu único defeito. A droga prometia afetar a mente humana a tal ponto, que teria o poder de alterar a percepção de tempo do indivíduo que a usasse, fazendo praticamente com que ele não visse o tempo passar, voltando em si somente quando estivesse plenamente realizado. Steve não exitou em usá-la, foi a primeira e única cobaia de sua própria criação.

Acordou assustado, deitado numa cama de casal, coberto à um lençol vermelho, ao seu lado dormia uma mulher. Levantou correndo, não reconhecia a casa onde estava, saiu do cômodo como um louco e entrou em uma porta na tentativa de sair dali, encontrou lá um banheiro. A primeira coisa com que se deparou foi um espelho, viu nele o próprio reflexo, tomado por rugas e cabelos brancos. Caiu em si enquanto jogava água no rosto tentando acordar daquilo tudo, percebeu o que havia passado.

Steve avançara anos indeterminados de sua vida, viveu cada minuto desse tempo, mas teve suas lembranças apagadas. Sua última recordação era uma imagem vista por olhos entreabertos, onde contemplava a droga criada sendo injetada à veia do seu braço esquerdo. Calmamente começou a analisar a casa onde estava, voltou ao quarto onde havia acordado, nele ficou contemplando o rosto da mulher que ainda dormia ali, o sorriso dela durante o sono lhe era familiar. Um nome lhe veio a cabeça, Sara, a garota por quem uma dia se apaixonou na segunda série, que perdeu contato ao avançar um ano escolar, a mulher que reencontrou na faculdade, com quem tinha encontro casuais, com quem um dia já sonhara em se casar. Confirmou sua identidade ao ver na estante uma foto de ambos juntos na infância, ao lado da foto do dia em que se casaram.

Em silêncio continuou pela casa, na sala encontrou diplomas e méritos enquadrados em molduras douradas. Neles Steve pôde ler cada contribuição que havia feito para a medicina, cada doença que ele mesmo descobriu como remediar. Na estante, mais de uma dúzia de livros escritos por ele, onde descrevia cada estudo importante que havia feito. Estonteado caminhou para o corredor que saia da sala, passou por um quarto cujas paredes eram rosas, que lhe chamou a atenção; empurrou a porta entreaberta, nele dormia uma menina cercada de bonecas. Steve não teve dúvidas, novamente as fotos estavam ali no criado mudo, comprovando que aquela garota era sua filha, cada foto esboçava um sorriso maior, era uma criança feliz. As fotos nem sequer seriam necessárias, além de notar o semblante da garota, muito parecido ao da mãe que dormia no quarto próximo, Steve viu nela traços do próprio rosto recém visto no espelho.

Tinha ao seu lado todos seus sonhos realizados, mas como poderia viver com isso? Nem sequer sabia como viveu anos de sua vida, tinha todos os fins, mas não os meios usados. Como poderia conviver com pessoas que nem sequer conhece direito? O que diria pra sua esposa quando ela acordasse? Não poderia contar à ninguém o que aconteceu, o chamariam de louco, jamais alguém acreditaria em tal história. Só pensava em uma solução, criar um antídoto; algo que lhe devolvesse a memória desse tempo esquecido. Steve, sabia que devia ter um laboratório particular na própria casa, encontrou escadas para um porão, só podia ser ali.

Encontrou ali o laboratório, organizado do mesmo modo aos quais ele ja trabalhara a vida toda. Sabia onde encontrar tudo, mas não sabia o que precisava. Percebeu que era uma loucura, quantos anos seriam necessários para sintetizar a droga que reverteria sua memória, ou pior, seria mesmo possível fazê-la? Steve encontrou-se em um dilema, não sabia como resolver tudo, não poderia sair dali quando as pessoas da sua própria casa já estivessem acordadas, não poderia nem sequer sair de casa, tudo era diferente. Decidiu pela atitude mais extrema, usar novamente da mesma droga, era óbvio, ele avançaria dias, meses, ou anos, mas quando se desse conta, estaria com a tal droga pra se lembrar de tudo em mãos, tudo estaria resolvido, mesmo sem saber como ele se explicara nesse tempo que "avançou" novamente. Não exitou, tinha a lembrança de como criou a droga que causou tudo isso, a lembrança que parecia de minutos atrás. Aplicou no mesmo braço esquerdo, agora já mais fraco e enrugado, e do mesmo modo seus olhos foram se fechando. Steve jamais recuperou sua consciência.



Jamais tenha pressa em viver, saiba como deu cada passo, como subiu cada degrau de cada vez. Aproveite cada tombo, jamais se coloque no topo da escada sem saber os degraus em que pisou.



     
                                                   

sábado, 9 de abril de 2011

Homeopatia, placebo e o poder do pensamento

Um post menos abstrato que o anterior, remetendo unicamente a como você pode pensar melhor e consequentemente viver melhor.



Homeopatia: Sistema médico que cura as doenças com as próprias substâncias que as podem determinar.

Placebo: Substância neutra administrada em vez de um medicamento, como controle numa experiência, ou para desencadear reações psicológicas nos pacientes.

Pensamento: 1- Ideia, reflexão, consideração.
            2- Intenção.



A homeopatia é uma prática usada desde 1779, criada por um pintor alemão, e posteriormente estudante de medicina, chamado Christian Friedrich Samuel Hahnemann. Hahnemann afirmava que causar sintomas seria uma forma de curá-los. Exemplificando, se alguém sofresse de insonia, a terapia alternativa para isso seria administrar pequenas doses de cafeína no paciente; qualquer leigo percebe que isso é um absurdo, até mesmo a menor dose um estimulante piora o caso de alguém que não consegue dormir. 

Essas pequenas doses eram criadas na diluição da cafeína em água, por exempo, algo como 1 gota de cafeína para 99 gotas de água; uma gota dessa soluçao resultante, por sua vez, seria adicionada a outras 99 gotas de água (criando uma soluçao de 99,99% água e apenas 0,01% cafeína), e que novamente passava pelo mesmo processo. Este processo é repetido até 30 vezes consecutivas, criando soluções onde é mais facil ganhar 5 vezes seguidas na loteria do que conseguir encontrar uma molécula de caféina em meio a água. Na verdade, diz-se que a apartir da 12ª vez, a substância alcança o "Limite de Avogadro", onde supostamente a cafeína do exemplo já deixaria de existir, tornando-se tudo simplesmente água.

Homeopatas acreditam que a agitação da tal substância, a cada repetição do processo, faria com que água rete-se a "memória" da substancia usada, que adicionada a comprimidos de açucar, estimularia a "alma" do paciente a lutar contra seu problema. 

Como cético afirmo "óbvio que isso é um absurdo", mas não podemos negar que funciona, afinal são ínumeros os testes e estudos que comprovam a eficácia da homeopatia; eis o que nos leva ao efeito placebo.

O Efeito Placebo parece ser a resposta da eficácia dessa terapia alternativa. O paciente ao ingerir tais comprimidos de pura água e açucar, acreditaria fielmente que isso o curaria, uma cura puramente psicológica. Baseado no efeito placebo podemos até afirmar que tais remédios homeopáticos sequer necessitam de tais processos para serem "fabricados", apenas necessitam açucar ou algo para dar forma aos comprimidos, sendo a bula da caixa do remédio o real motivo da cura, pura sugestão. Citando sobre dar formas aos comprimidos, eis outro fato interessante: Um estudo diz que um simples comprimido homeopático, branco, de açúcar, tem seu potencial curativo, mas se você estampar uma letra nele e pintá-lo de azul, potencializaria o efeito. Ainda mais, uma cápsula onde cada lado possui uma cor, como um lado vermelho e outro amarelo, seria mais efetiva ainda; chegando ao nível mais alto da sugestividade, aplicar uma injeção de alguma substância inerte no paciente; a impressão positiva criada é tao grande, que nem teria comparação aos efeitos dos métodos citados antes.

Hahnemann, criador da homeopatia em 1779, só nos abriu a primeira porta; mesmo com suas idéias sem fundamentos nos fez refletir. Reflexão essa explicada linearmente através dos parágrafos desde texto,  para chegar em um único ponto: O pensamento humano. Acredito que a mente humana sem dúvidas tem tal poder de acreditar em algo e usá-lo para o seu próprio bem; não podemos negar também que em alguns casos os reais remédios da medicina realmente são necessários, mas é fato que a crença na cura, mesmo falando destes medicamentos, é essencial.

Algum dia poderemos dissertar em um ultimo parágrafo, que substituindo este explicaria como a humanidade em geral passou a acreditar no bem próprio, não necessitando de tais drogas sugestivas, apenas no pensamento da própria melhora por si só.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tempo

Andei sem idéias nos últimos dias, na verdade as tive, mas não andei muito 'inspirado' pra escrever. Agora são 2 da manhã, o sono passa longe, e a paz é absoluta, meu dia foi muito proveitoso, então lá vai. Ahhh, desculpe pelo modo mais direto de escrever, como se estivesse falando com quem lê, me deu vontade.


                          Tempo: 1 - Série ininterrupta e eterna de instantes.
                                      2 - Medida arbitrária da duração das coisas.


Provavelmente você está dormindo agora enquanto escrevo, na verdade você deve estar dormindo a mais ou menos umas 4 horas(?) já. Essa noite não passa logo, estou sem sono e por isso resolvo escrever, essa noite durou muito mais pra mim do que pra você, que distraído no sono, não percebeu ela passar.

Tomando o tempo pela segunda definição descrita acima, na verdade essa noite teria exatamente a mesma duração para nós, apesar de nossas percepções diferentes; cada segundo seria igual para ambos...afinal, quanto ou que é um segundo? A definição científica do termo é: "Um segundo é o tempo de duração de 9.192.631.770 vibrações da radiação emitida pela transição eletrônica entre os níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133". Totalmente incompreensível, essa é a medida padrão do 'tempo arbitrário', tempo este que temos a mania de medir, tempo este que há de ser igual pra todos.

Não, eu não sou loco, sei que disse que a minha noite durou mais, e sei que em seguida disse que foi igual para ambos de nós, é justamente onde pretendo chegar, ou melhor, justamente onde ninguém consegue chegar. Afinal, o tempo é algo linear e de possível medida, ou simplesmente uma questão de percepção? Não escrevo pensando em te responder, ninguém sabe nos responder, pasme.

O tempo arbitrário é obviamente uma criação por necessidade do ser humano. Tente imaginar um mundo sem relógios, onde nos limitariamos somente a saber se é dia ou se é noite. Obviamente que não funcionaría na sociedade de hoje, inegavelmente somos presos a relógios, e por menos rotineira que seja sua vida, isso não muda. Temos a hora de acordar pra ir trabalhar, a hora de estudar, a hora do almoço e da janta; e como se não bastasse, temos que dormir 8 horas diárias por uma vida saudável. Cada ocorrência depende dessas medições, somos preso a esse tempo; mas ainda sim o percebemos de modo diferente.

A relatividade do tempo, assim como a necessidade de medi-lo, também é inegável. Pode ser que o tempo seja somente uma limitação a nossa percepção das coisas, e que talvez ele nem aconteça de forma linear. Cada um de nós temos uma percepção diferente, e que geralmente está ligada a atenção e ao aproveitamento da situação. Exemplo, os segundos em um relógio passam muito mais rapido pra quem não fica contando os "tic-tacs"; ou aquela aula chata que pra você foi uma eternidade, mas que pro seu amigo interessado passou voando; ou ainda esta noite, que passou depressa demais enquanto você dormia, e que não termina nunca pra mim enquanto eu escrevo acompanhado desta insonia.

Sobre o tempo não correr de forma linear, use de exemplo sua própria vida. Todos os fatos acontecem na ordem que tem que ser? Às vezes deixamos de entender algo de imediato, mas que depois de muito tempo você acaba compreendendo; ou então coisas futuras, que só pelo que se passa agora, são totalmente previsíveis. A maioria das vezes não vivemos uma determinada coisa de uma só vez, temos ela divida em frações de momentos, que preenchidos por outros assuntos, parecem nem mesmo ter tido um intervalo. Já assistiu os filmes do Tarantino? São totalmente fora da ordem linear, mas no final fazem sentido, basta um pouco de atenção. Pode que o tempo te permita isso para a vida, até mesmo que as coisas aconteçam "de trás pra frente", que seja até difícil reconhecer um começo, um meio, e um fim; mas que sempre tem um sentido final.

As vezes podemos até imaginar que se não fossemos limitados à nossa existência simples, poderiamos viver dois momentos ao mesmo tempo, reviver momentos e criar nosso próprio tempo.

Dois pensamentos para concluir, um deles de um físico chamado John Wheeler que diz: "O tempo é o jeito que a natureza deu para não deixar que tudo acontecesse de uma vez só". O outro, um trava-línguas que sempre achei engraçado desde minha infância: "O tempo perguntou pro tempo, 'quanto tempo o tempo tem?', o tempo, respondeu para o tempo, que o tempo tem o mesmo tempo que o tempo tem".

(Inspiração musical: dyzv0r)