terça-feira, 31 de maio de 2011

O Palhaço do Circo Sem Futuro

Um conto inspirado na música do Cordel do Fogo Encantado, que tem o nome do post.



Admirava-os, as risadas que tiravam da maioria eram contagiantes; até os que inexplicavelmente choravam quando eles apareciam, acabavam por rir. Quando o circo chegava na cidade, Cloud já saía louco à procura dos jornais já lidos que eram jogados fora, conferindo a primeira página de cada um, procurando pelo recorte que dava desconto para as entradas. Cloud era uma criança agitada, adorava rir e fazer rir, via no sorriso alheio uma parcela da própria felicidade. Surpreendia à todos quando questionado, não dava como resposta o costumeiro "bombeiro" ou "jogador de futebol", quisera de verdade ser um artista de nariz vermelho quando crescer. Não só quisera como o fez.

Na escola, usava costumeiramente sapatos maiores que seu número, tinha o cabelo bagunçado para os lados e um sorriso estampado naturalmente no rosto. A aparência estranha podia até fazer com que, a princípio, rissem dele, e não com ele, mas bastava conhecer-lhe um pouco para que seu jeito extrovertido e carismático de ser tornasse sua estranheza um detalhe. Na sala de aula não perdia uma oportunidade em lançar uma piada em meio a explicação de um professor, e mesmo estes, sendo atrapalhados, compreendiam a intromissão com uma risada disfarçada para manter a ordem.

Seus pais pouco lhe davam importância, era fruto de uma gravidez indesejada, fora criado com a pouca compaixão do casal, a mesma que os fez voltar atrás segundos antes de decidir abandoná-lo quando ainda recém nascido.

O circo era o único da região, era erguido sob uma lona de faixas vermelhas e amarelas, enfeitado com lâmpadas incandescentes ligadas em série que vinham desde o ponto mais alto até perto do chão. Vinha à cidade quatro ou cinco vezes ao ano, chegava à fazer mais de dez apresentações em cada visita. Cloud estava em todas, quando não conseguia os recortes promocionais dos jornais, oferecia-se para trabalhar em troca de poder assistir às apresentações. Ora limpava a sujeira dos animais que o circo levava consigo, ora vendia pipocas e outras comidas oferecidas durante as apresentações. Não importava o que lhe era o encargo, desde que na hora dos palhaços pudesse estar para assistir.

Abandonou os estudos antes de completar a sétima série, viajava agora junto com o circo, era sua nova casa. Seguia fazendo os mesmos trabalhos, porém agora recebendo alguns trocados além de poder assistir à tudo. Era visto durante o dia maquilando-se, pegando emprestado o nariz vermelho, e encenando graças em meio ao picadeiro vazio. Em pouco tempo começou a participar de apresentações junto aos comediantes do circo, que notando a satisfação do público o mantiveram ali. Ao passar dos anos, Cloud, já adulto, viu falecer os amigos que antes contemplava quando criança, assumindo agora seus lugares para perpetuar as risadas que jamais podiam acabar, ou pelo menos não deveriam.

Era sem dúvida o melhor palhaço que ja passara por aquele circo. Usava maquilagens que jamais se repetiam; para cada apresentação Cloud tinha uma nova cor ou detalhe diferencial, o sorriso que pintava em si mesmo ia de orelha a orelha. Cloud em avançada idade era agora o dono do circo, mas ao contrário do que se imagina não tornou-se aquele apresentador que usa uma cartola, manteve seu ofício, o mais clássico e primordial do meio circense.

Nem tão primordial assim, notou com o tempo que o interesse pelo que se passava por debaixo da lona vermelha e amarela tornou-se outro. As pessoas agora se interessavam mais pelos domadores de leões, atiradores de facas e motoqueiros do globo da morte. As crianças, que outrora se divertiam com suas graças, agora ficavam sem piscar diante dos números que incitavam perigo ou forma de violência, e aproveitavam o desinteresse pela presença do palhaço para correrem para a fila das guloseimas. Nem mesmo havia mais aquelas que choravam quando ele aparecia, choro que ele adorava tentar converter em sorriso. Em uma de suas apresentações ofereceu uma torta à um garoto, que sem pensar duas vezes a devolveu em seu rosto, convidando os amigos pela próxima oportunidade.

Era Sábado à noite, dia de maior público, foi anunciado que após a apresentação de Cloud seria a vez do esperado número do globo da morte. As pessoas já se dirigiam às filas de pipoca e afins, as crianças já se enfadavam por ter que esperar por mais uma apresentação. Cloud entrou no picadeiro de cabeça baixa e passos lentos, e se dirigiu até o centro. O garoto que lhe havia atirado a torta no dia anterior estava ali perto, de peito colado à grade que divide a arquibancada, tentando chamar atenção. Quando Cloud levantou a cabeça, olhando para um ponto fixo no nada, o garoto deu três passos atrás, aguardou alguns segundos olhando-o com cara de espanto, e correu na direção contrária gritando.

Cloud jamais repetia a maquiagem, e não fizera exceção à essa vez. Tinha no rosto uma maquiagem horrenda, tons de preto e vermelho sobrepostos; o sorriso que antes lembrava a lua crescente que lhe ia de orelha a orelha, agora minguava em direção contrária. A maquilagem de Cloud não era sua máscara, pelo contrário, era o que deixava transparecer o que sentia. Cloud, imóvel ao centro do picadeiro, fitava cada um presente na arquibancada, até poder ter olhado todos fixamente nos olhos. Foram se retirando um a um, pais que contentavam crianças chorando, outros revoltados sendo apaziguados por funcionários do circo.

O circo chegara ao fim, jamais voltou a se apresentar, Cloud ainda é visto pelas ruas, nas mesmas temporadas e cidades que o circo visitava. Nunca é visto com maquilagem igual, mas mantêm estampada no rosto forma que antes era um sorriso. Talvez Cloud jamais deveria ter tomado tal atitude diante da situação, talvez deveriam tê-lo correspondido com um sorriso naquele momento.


Sorria também para quem te faz o contrário.


domingo, 29 de maio de 2011

Espelho Animal

Um dia desses estive observando uma Mariposa que num canto da cozinha permaneceu o dia todo. Desde meu café da manhã, até o ultimo gole d'água no fim do dia, antes de ir pra cama, ela esteve lá. Inconformado com a paciência do animal em estar ali parado, sem mover-se um centímetro por um dia todo, decidi tocá-la; caiu no chão mantendo a mesma posição que tinha antes, como uma estátua que cai e não se quebra. Após um mês sem escrever, eis o fato que inspira o post.


O ser humano contemporâneo é submetido à um mundo onde sobrevive quem tem pressa, há de aprender a tomar as decisões importantes em curtos espaços de tempo, mas que muitas vezes acabam levando à um "fazer sem pensar". Não é o tema principal desse texto, mas serve para a reflexão do quanto essa pressa torna a vida curta, porém não insignificante; e como um simples pensar duas vezes antes de agir, uma mudança de comportamento, pode dar um rumo melhor ao que for.

Eis o que nos diferencia dos animais, estes agem por instinto, têm objetivos particulares, e lutam para sobreviver até cumprí-los. São presos à sua existência, jamais desviam-se dos objetivos primitivos, não têm escolha pra isso. O comportamento de alguns deles, interpretado de forma 'filosófica', é a questão.

A Mariposa eclode dos ovos colocados por uma fêmea adulta, vive o primeiro mês de sua vida como larva, comer e descansar são suas únicas ocupações. Após isso, começa a tecer a crisálida onde ficará reclusa durante cerca de 15 dias. Por fim dali saem em forma adulta, exuberante em cores ou não, copulam, põem ovos e morrem, isso num espaço de 3 dias. Têm o único objetivo de reproduzir, o prepara durante 2 meses, vive em forma adulta e o realiza em não mais que 3 dias. Fato interessante está na forma como morrem; quando não depedradas pelo homem, ou predadas pela própria natureza, elas simplesmentes deixam de lutar pela sobrevivência, ficam estáticas, sem forças, esperando a morte natural. Quando incomodadas, voam errantes para o próximo lugar confortável, e tornam a esperar seu fim.

A formiga operária trabalha a vida toda, busca comida, alimenta as larvas, vivem cerca de 1 ano, e dedicam cada segundo de sua existência à serviço da formiga rainha, que pode viver até 20 anos antes de ser substituída. O Peixe, na abundância de alimento, come excessivamente, até morrer por isso. A fêmea do Louva-Deus sente uma fome incontrolável após a reprodução, e arranca e come a cabeça do macho pra se satisfazer. O Leão é sábio e forte, possui as melhores estratégias de caça, vivem em grupos unidos, conhecem seu próprio poder, mas não admitem a convivência pacífica com qualquer outra espécie, mesmo sabendo que estas não representam perigo algum pra ele. Os Pássaros têm a liberdade de voar para onde quiser, mas sempre são vistos nas mesmas árvores ou fios de postes.

Trabalhe durante sua vida, é digno do homem, porém jamais se escravize, reserve um tempo para si mesmo e para os que você gosta. Satisfaça-se com pouco, porém queira e esforce-se pra comer do melhor. Encontre alguém para aprender a amar, ter uma família, mas veja nesse alguém somente um motivo para felicidade, jamais o contrário. Sinta-se superior, saiba da força que tem, mas jamais perca a humildade. Voe para onde quiser, mas jamais esqueça onde foi ou é o seu 'ninho'. E como a Mariposa, planeje seus objetivos, porém realize-os de forma gradual, entenda sim que a vida é curta, mas significa muito mais que aparenta; jamais entregue-se pra um final, não tente enxergá-lo, não acomode-se esperando que a vida acabe.

terça-feira, 19 de abril de 2011

One Step at a Time

Num momento de loucura, resolvi escrever um conto desta vez. O conto ainda não tem um título, mas ilustra o título do post, espero que gostem.


                                        Step(inglês): Degrau, Passo, Etapa.     

Steve era um rapaz sonhador, sonhador demais. Filho de um casal jovem de classe média, nasceu em meio à uma discussão de seus pais, onde a raiva momentânea de sua mãe foi o motivo do rompimento da bolsa amniótica. Uma criança saudável, apesar do parto prematuro; morava com os pais numa casa confortável, uma casa que seu avô materno havia os deixado em seu testamento. Desde pequeno já era notado pela sua inteligência e destreza fora do comum; falou a primeira palavra aos 10 meses idade, aprendeu a caminhar cedo, tinha um andar seguro, não se escorava nos móveis da casa, acreditava que não ia cair.

Foi disciplinado em boas escolas da sua cidade, era sempre o primeiro da turma. Extrovertido, não era o típico "nerd" que senta na primeira carteira, tinha a amizade de todos, uma pessoa de humildade e altruísmo tão grande, que mesmo aos bagunceiros da turma, jamais negou uma "cola" na hora da prova. Concluiu o ensino médio aos 16 anos, pois havia pulado a terceira série do fundamental por ser considerado apto suficiente. Foi aprovado no vestibular de uma das melhores faculdades de farmácia do país, era um de seus sonhos, desejava um dia poder sintetizar e descobrir drogas para curar as doenças mais devastadoras do homem.

Steve era extremamente dedicado ao estudo, mas tinha não só um sonho profissional, desejava um dia uma família, desejava fazê-la plenamente feliz, queria poder se provar diferente dos seus pais, que mesmo já velhos continuavam a discutir todos os dias. Era difícil conciliar seus sonhos, dedicava-se demais à profissão para alcançar sua meta, não tinha tempo para a vida social, mas no fundo sabia que era capaz de uma dia realizar ambos os sonhos. Mesmo com toda inteligência, segurança e força de vontade, Steve tinha um ponto fraco, a impaciência. Não suportava mais esperar, anos haviam passado, era um profissional conceituado, mas não havia participado de um estudo sequer que colaborasse para a cura de algo grande, não tinha uma família, não se sentia realizado.

Em uma de suas experiências de Neurofarmacologia, Steve por acidente acreditou sintetizar uma droga jamais vista, algo capaz de afetar a mente humana à níveis imensuráveis. Acreditava ter criado a solução do seu único defeito. A droga prometia afetar a mente humana a tal ponto, que teria o poder de alterar a percepção de tempo do indivíduo que a usasse, fazendo praticamente com que ele não visse o tempo passar, voltando em si somente quando estivesse plenamente realizado. Steve não exitou em usá-la, foi a primeira e única cobaia de sua própria criação.

Acordou assustado, deitado numa cama de casal, coberto à um lençol vermelho, ao seu lado dormia uma mulher. Levantou correndo, não reconhecia a casa onde estava, saiu do cômodo como um louco e entrou em uma porta na tentativa de sair dali, encontrou lá um banheiro. A primeira coisa com que se deparou foi um espelho, viu nele o próprio reflexo, tomado por rugas e cabelos brancos. Caiu em si enquanto jogava água no rosto tentando acordar daquilo tudo, percebeu o que havia passado.

Steve avançara anos indeterminados de sua vida, viveu cada minuto desse tempo, mas teve suas lembranças apagadas. Sua última recordação era uma imagem vista por olhos entreabertos, onde contemplava a droga criada sendo injetada à veia do seu braço esquerdo. Calmamente começou a analisar a casa onde estava, voltou ao quarto onde havia acordado, nele ficou contemplando o rosto da mulher que ainda dormia ali, o sorriso dela durante o sono lhe era familiar. Um nome lhe veio a cabeça, Sara, a garota por quem uma dia se apaixonou na segunda série, que perdeu contato ao avançar um ano escolar, a mulher que reencontrou na faculdade, com quem tinha encontro casuais, com quem um dia já sonhara em se casar. Confirmou sua identidade ao ver na estante uma foto de ambos juntos na infância, ao lado da foto do dia em que se casaram.

Em silêncio continuou pela casa, na sala encontrou diplomas e méritos enquadrados em molduras douradas. Neles Steve pôde ler cada contribuição que havia feito para a medicina, cada doença que ele mesmo descobriu como remediar. Na estante, mais de uma dúzia de livros escritos por ele, onde descrevia cada estudo importante que havia feito. Estonteado caminhou para o corredor que saia da sala, passou por um quarto cujas paredes eram rosas, que lhe chamou a atenção; empurrou a porta entreaberta, nele dormia uma menina cercada de bonecas. Steve não teve dúvidas, novamente as fotos estavam ali no criado mudo, comprovando que aquela garota era sua filha, cada foto esboçava um sorriso maior, era uma criança feliz. As fotos nem sequer seriam necessárias, além de notar o semblante da garota, muito parecido ao da mãe que dormia no quarto próximo, Steve viu nela traços do próprio rosto recém visto no espelho.

Tinha ao seu lado todos seus sonhos realizados, mas como poderia viver com isso? Nem sequer sabia como viveu anos de sua vida, tinha todos os fins, mas não os meios usados. Como poderia conviver com pessoas que nem sequer conhece direito? O que diria pra sua esposa quando ela acordasse? Não poderia contar à ninguém o que aconteceu, o chamariam de louco, jamais alguém acreditaria em tal história. Só pensava em uma solução, criar um antídoto; algo que lhe devolvesse a memória desse tempo esquecido. Steve, sabia que devia ter um laboratório particular na própria casa, encontrou escadas para um porão, só podia ser ali.

Encontrou ali o laboratório, organizado do mesmo modo aos quais ele ja trabalhara a vida toda. Sabia onde encontrar tudo, mas não sabia o que precisava. Percebeu que era uma loucura, quantos anos seriam necessários para sintetizar a droga que reverteria sua memória, ou pior, seria mesmo possível fazê-la? Steve encontrou-se em um dilema, não sabia como resolver tudo, não poderia sair dali quando as pessoas da sua própria casa já estivessem acordadas, não poderia nem sequer sair de casa, tudo era diferente. Decidiu pela atitude mais extrema, usar novamente da mesma droga, era óbvio, ele avançaria dias, meses, ou anos, mas quando se desse conta, estaria com a tal droga pra se lembrar de tudo em mãos, tudo estaria resolvido, mesmo sem saber como ele se explicara nesse tempo que "avançou" novamente. Não exitou, tinha a lembrança de como criou a droga que causou tudo isso, a lembrança que parecia de minutos atrás. Aplicou no mesmo braço esquerdo, agora já mais fraco e enrugado, e do mesmo modo seus olhos foram se fechando. Steve jamais recuperou sua consciência.



Jamais tenha pressa em viver, saiba como deu cada passo, como subiu cada degrau de cada vez. Aproveite cada tombo, jamais se coloque no topo da escada sem saber os degraus em que pisou.



     
                                                   

sábado, 9 de abril de 2011

Homeopatia, placebo e o poder do pensamento

Um post menos abstrato que o anterior, remetendo unicamente a como você pode pensar melhor e consequentemente viver melhor.



Homeopatia: Sistema médico que cura as doenças com as próprias substâncias que as podem determinar.

Placebo: Substância neutra administrada em vez de um medicamento, como controle numa experiência, ou para desencadear reações psicológicas nos pacientes.

Pensamento: 1- Ideia, reflexão, consideração.
            2- Intenção.



A homeopatia é uma prática usada desde 1779, criada por um pintor alemão, e posteriormente estudante de medicina, chamado Christian Friedrich Samuel Hahnemann. Hahnemann afirmava que causar sintomas seria uma forma de curá-los. Exemplificando, se alguém sofresse de insonia, a terapia alternativa para isso seria administrar pequenas doses de cafeína no paciente; qualquer leigo percebe que isso é um absurdo, até mesmo a menor dose um estimulante piora o caso de alguém que não consegue dormir. 

Essas pequenas doses eram criadas na diluição da cafeína em água, por exempo, algo como 1 gota de cafeína para 99 gotas de água; uma gota dessa soluçao resultante, por sua vez, seria adicionada a outras 99 gotas de água (criando uma soluçao de 99,99% água e apenas 0,01% cafeína), e que novamente passava pelo mesmo processo. Este processo é repetido até 30 vezes consecutivas, criando soluções onde é mais facil ganhar 5 vezes seguidas na loteria do que conseguir encontrar uma molécula de caféina em meio a água. Na verdade, diz-se que a apartir da 12ª vez, a substância alcança o "Limite de Avogadro", onde supostamente a cafeína do exemplo já deixaria de existir, tornando-se tudo simplesmente água.

Homeopatas acreditam que a agitação da tal substância, a cada repetição do processo, faria com que água rete-se a "memória" da substancia usada, que adicionada a comprimidos de açucar, estimularia a "alma" do paciente a lutar contra seu problema. 

Como cético afirmo "óbvio que isso é um absurdo", mas não podemos negar que funciona, afinal são ínumeros os testes e estudos que comprovam a eficácia da homeopatia; eis o que nos leva ao efeito placebo.

O Efeito Placebo parece ser a resposta da eficácia dessa terapia alternativa. O paciente ao ingerir tais comprimidos de pura água e açucar, acreditaria fielmente que isso o curaria, uma cura puramente psicológica. Baseado no efeito placebo podemos até afirmar que tais remédios homeopáticos sequer necessitam de tais processos para serem "fabricados", apenas necessitam açucar ou algo para dar forma aos comprimidos, sendo a bula da caixa do remédio o real motivo da cura, pura sugestão. Citando sobre dar formas aos comprimidos, eis outro fato interessante: Um estudo diz que um simples comprimido homeopático, branco, de açúcar, tem seu potencial curativo, mas se você estampar uma letra nele e pintá-lo de azul, potencializaria o efeito. Ainda mais, uma cápsula onde cada lado possui uma cor, como um lado vermelho e outro amarelo, seria mais efetiva ainda; chegando ao nível mais alto da sugestividade, aplicar uma injeção de alguma substância inerte no paciente; a impressão positiva criada é tao grande, que nem teria comparação aos efeitos dos métodos citados antes.

Hahnemann, criador da homeopatia em 1779, só nos abriu a primeira porta; mesmo com suas idéias sem fundamentos nos fez refletir. Reflexão essa explicada linearmente através dos parágrafos desde texto,  para chegar em um único ponto: O pensamento humano. Acredito que a mente humana sem dúvidas tem tal poder de acreditar em algo e usá-lo para o seu próprio bem; não podemos negar também que em alguns casos os reais remédios da medicina realmente são necessários, mas é fato que a crença na cura, mesmo falando destes medicamentos, é essencial.

Algum dia poderemos dissertar em um ultimo parágrafo, que substituindo este explicaria como a humanidade em geral passou a acreditar no bem próprio, não necessitando de tais drogas sugestivas, apenas no pensamento da própria melhora por si só.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

Tempo

Andei sem idéias nos últimos dias, na verdade as tive, mas não andei muito 'inspirado' pra escrever. Agora são 2 da manhã, o sono passa longe, e a paz é absoluta, meu dia foi muito proveitoso, então lá vai. Ahhh, desculpe pelo modo mais direto de escrever, como se estivesse falando com quem lê, me deu vontade.


                          Tempo: 1 - Série ininterrupta e eterna de instantes.
                                      2 - Medida arbitrária da duração das coisas.


Provavelmente você está dormindo agora enquanto escrevo, na verdade você deve estar dormindo a mais ou menos umas 4 horas(?) já. Essa noite não passa logo, estou sem sono e por isso resolvo escrever, essa noite durou muito mais pra mim do que pra você, que distraído no sono, não percebeu ela passar.

Tomando o tempo pela segunda definição descrita acima, na verdade essa noite teria exatamente a mesma duração para nós, apesar de nossas percepções diferentes; cada segundo seria igual para ambos...afinal, quanto ou que é um segundo? A definição científica do termo é: "Um segundo é o tempo de duração de 9.192.631.770 vibrações da radiação emitida pela transição eletrônica entre os níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133". Totalmente incompreensível, essa é a medida padrão do 'tempo arbitrário', tempo este que temos a mania de medir, tempo este que há de ser igual pra todos.

Não, eu não sou loco, sei que disse que a minha noite durou mais, e sei que em seguida disse que foi igual para ambos de nós, é justamente onde pretendo chegar, ou melhor, justamente onde ninguém consegue chegar. Afinal, o tempo é algo linear e de possível medida, ou simplesmente uma questão de percepção? Não escrevo pensando em te responder, ninguém sabe nos responder, pasme.

O tempo arbitrário é obviamente uma criação por necessidade do ser humano. Tente imaginar um mundo sem relógios, onde nos limitariamos somente a saber se é dia ou se é noite. Obviamente que não funcionaría na sociedade de hoje, inegavelmente somos presos a relógios, e por menos rotineira que seja sua vida, isso não muda. Temos a hora de acordar pra ir trabalhar, a hora de estudar, a hora do almoço e da janta; e como se não bastasse, temos que dormir 8 horas diárias por uma vida saudável. Cada ocorrência depende dessas medições, somos preso a esse tempo; mas ainda sim o percebemos de modo diferente.

A relatividade do tempo, assim como a necessidade de medi-lo, também é inegável. Pode ser que o tempo seja somente uma limitação a nossa percepção das coisas, e que talvez ele nem aconteça de forma linear. Cada um de nós temos uma percepção diferente, e que geralmente está ligada a atenção e ao aproveitamento da situação. Exemplo, os segundos em um relógio passam muito mais rapido pra quem não fica contando os "tic-tacs"; ou aquela aula chata que pra você foi uma eternidade, mas que pro seu amigo interessado passou voando; ou ainda esta noite, que passou depressa demais enquanto você dormia, e que não termina nunca pra mim enquanto eu escrevo acompanhado desta insonia.

Sobre o tempo não correr de forma linear, use de exemplo sua própria vida. Todos os fatos acontecem na ordem que tem que ser? Às vezes deixamos de entender algo de imediato, mas que depois de muito tempo você acaba compreendendo; ou então coisas futuras, que só pelo que se passa agora, são totalmente previsíveis. A maioria das vezes não vivemos uma determinada coisa de uma só vez, temos ela divida em frações de momentos, que preenchidos por outros assuntos, parecem nem mesmo ter tido um intervalo. Já assistiu os filmes do Tarantino? São totalmente fora da ordem linear, mas no final fazem sentido, basta um pouco de atenção. Pode que o tempo te permita isso para a vida, até mesmo que as coisas aconteçam "de trás pra frente", que seja até difícil reconhecer um começo, um meio, e um fim; mas que sempre tem um sentido final.

As vezes podemos até imaginar que se não fossemos limitados à nossa existência simples, poderiamos viver dois momentos ao mesmo tempo, reviver momentos e criar nosso próprio tempo.

Dois pensamentos para concluir, um deles de um físico chamado John Wheeler que diz: "O tempo é o jeito que a natureza deu para não deixar que tudo acontecesse de uma vez só". O outro, um trava-línguas que sempre achei engraçado desde minha infância: "O tempo perguntou pro tempo, 'quanto tempo o tempo tem?', o tempo, respondeu para o tempo, que o tempo tem o mesmo tempo que o tempo tem".

(Inspiração musical: dyzv0r)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sonhos


Sonhar:     1 - Ter imagens e sons ao dormir.
2-  Desejar muito algo.




Valendo-me da primeira definição, resolvi iniciar o blog escrevendo sobre Sonhos, fato cotidiano que me desperta uma curiosidade quase que infinita. A maioria dos posts terão mais valor particular, onde em momentos de ócio (que não estão faltando) escreverei sobre o que gosto, mas acreditando que alguém ainda possa se interessar sobre as idéias malucas que tenho.

Cada pessoa, influenciada por sua religião ou cultura, tem seu modo de interpretar o motivo pelo qual quando vai dormir se depara com esse mundo desconhecido, um mundo onde as imagens e sons parecem ter sua própria linguagem. Há os que creêm que os sonhos são mensagens de suas entidades divinas, pessoas que já se foram, ou até mesmo uma previsão do futuro. Há os que acreditam que os sonhos são informações completamente desnecessárias, algo pra somente manter o cerébro funcionando enquanto dormimos; os que creêm que são uma projeção de uma "realidade alternativa" e os que acreditam que nem sonham todas as noites. O único senso comum do assunto é: Sempre partem do inconsciente.

Ao meu modo, o sonho é algo totalmente pessoal e intrasferível, uma forma que o inconsciente de cada um tem para que possamos nos auto-avaliar, mesmo quando estamos dormindo, hora que supostamente teriamos pra "descansar da vida" e esquecer as complicações. São experiências que afetam unica e exclusivamente o modo do sonhador em questão pensar, e que podem ou não refletir nas atitudes próprias. Não é regra geral, a maioria dos nossos sonhos, por não terem aparente sentido, parecem estar ali somente para completar as lacunas que ficam entre os sonhos que realmente nos fazem refletir nossa situação atual e nossos principais desejos(segunda definiçao de "sonhar"). Freud dizia que esses sonhos sem sentido seriam a "fachada" para os sonhos importantes, chamados sonhos de "sentido latente", os quais unicamente têm um significado.

A linguaguem dos sonhos é totalmente desconhecida, acredita-se que cada um tem a sua, como se os sons e imagens pra cada pessoa fossem seu idioma e grafia do próprio inconsciente, cabendo ao sonhador traduzir tudo isso para o consciente, a fim de fazer sentido. O que ainda nos deixa pensar, seriam os "sonhos de fachada" realmente sem significado, ou sonhos de mesma importancia dos "latentes" que deixamos de entender? Dúvidas essas que só seriam respondidas se no momento do nosso nascimento, viessemos com nossa propria enciclopédia e dicionário para decifrarmos a nós mesmos.

Agora o que parece loucura, tentar escrever nosso próprio dicionário. Sabe-se que o ser humano tem inúmeros sonhos todas as noites, mas acabamos esquecendo a maioria. Um modo de driblar isso seria anotar os próprios sonhos, dormir com um "caderninho" ao lado da cama. Nos primeiros minutos que despertamos temos ainda a memória dos sonhos que tivemos à pouco, o simples fato de anotá-los seria suficiente para que, durante o dia, conseguissemos lembrá-los. Não que isso fosse suficiente para entendê-los, mas o princípio para quem quer tentar.

Aos mais ousados, a tentativa de um "sonho lúcido", onde supostamente há uma participação direita do consciente. A maioria já teve a sensação dessa experiência: saber que está sonhando, tomar controle do mesmo, e um despertar de lembranças com riquezas de detalhes. Os sonhos lúcidos são cientificamente comprovados, porém novamente insuficientes para o entendimento do sonho como um todo. Há inclusive técnicas para conseguí-los, como dormir pensando em tê-los e condicionar seu cerébro a quando ver um determinado simbolo ou imagem, estimulá-lo a trazer um pouco do seu consciente para o sonho. Muitas vezes ao fazermos isso, temos a "Paralisia do Sono", sensação aquela de estar acordado e não conseguir se mexer. Na verdade essa sensação é apenas a linha tênue do encontro do inconsciente com o consciente, onde temos duas opções: manter a calma, e fazer desse "encontro" um sonho lúcido; ou ser tomado pelo medo e despertar com aquela sensação de asfixia.

Ultimamente tenho dado atenção pra esse lado pouco conhecido de nós mesmos, mesmo parecendo insanidade, às vezes até anotando coisas ou outras. Adoro a experimentação de um sonho lúcido, de encontrar nos próprios sonhos traços particulares, que refletem realmente aos sentimentos atuais. Afinal "Mesmo quem acredita que não acredita em nada, há de admitir: a vida manda seus sinais. Basta ficar de olho aberto e ser amalucado o suficiente para entender...". [Jorge Amado]

(Inspiração musical para o post: Mi & L'au, álbum Good Morning Jokers)